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Eletrocardiograma


LA NOCHE DE LAS CHICAS



Abrir os caminhos de ruas tão nossas.
Centros nervosos.
Volúpia.
Desejo que escorre e lubrifica a imagem de pedra da cidade.
Língua que morre de sede.
Tapete vermelho de damas de vias públicas.
Trilha de pegadas no asfalto.
Que sorte Suely, a nossa.
E sempre essa rua.
E sempre essa praça.
E sempre essa igreja.
E o salto que vira.
E o ponto de Yansã.
E o ecstasi de desfilar a singularidade com o charme de ser única.
E o meu irmão sempre comigo.
Roupas cobrem corpos que se despem tão fácil.
Pedaços de pano que revelam alma e mais tantas delícias por ai.


Escrito por Paula Cohen às 12h59
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Infinito



O casal mais apaixonado do mundo foi comemorar o amor e morreu junto em um acidente fatal.
Então eles entraram juntos na eternidade com o prazer de levar o amor para o sempre.

Escrito por Paula Cohen às 16h41
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Vênus em Áries.


Um óculos de mulher em um rosto de macho pelado.
Uma mina despida de Rita Lee.
Chove porra na cidade. E os guarda paus se abrem.
Quem tem medo de gritar quando goza?
Quem tem coragem de trepar com alguém que já morreu?

Jogaram absinto na caixa d‘agua.
Não corte a orelha meu amor. Deixa que eu limpo o meu sangue nos teus dentes.
Vênus passa nua por Áries e lhe oferece a nuca.
Um tornado de luxúria inverte a moral da cidade.
Rabinos explicam que tradição e traição tem a mesma raiz.
Um sopro de liberdade sem culpa no coração de quem sempre se priva.
O sol dentro do corpo de quem vive cinza.
Tatuagens de boca na pele tem lugar nas passarelas.
Corpos chupados desfilam com o olhar de crianças que inventam do que vão brincar.
Vênus seduz o carneirinho.
O sacrifício santo do amor.

Escrito por Paula Cohen às 20h18
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Outono



Para que o avesso tenha acesso.
E para fazer girar a fortuna.
Para que aconteça algo encantado.
Para que as esquinas sejam cotovelos de braços dados com a sorte.

Vai vir um convite.
Vai chegar uma carta.
Vai nascer uma orquídea.
Tenho medo amor.

Todo longe é perto.
Algumas fachadas me confundem.
Eu esqueci o numero de lá.
Ou esqueci que lembrei o numero um dia.
Ou esqueci que um dia eu soube de cor.

Cada passo uma escolha.
E dias passam como passariam se nada disso ouve-se.
Dias que vem, não ligam.
O tempo e a estrada nossa.
A minha unha caiu de tantos passos que eu já dei.

Escrito por Paula Cohen às 00h31
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DESMASCARADO


Terça feira de carnaval.
Serpentinas no cabelo de alguém.
Caroço na guela de outra pessoa.
Silêncio profano.
Cidade fantasiada de festa muda.

Escrito por Paula Cohen às 02h27
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A COLINA SAGRADA

A medida do braço do Senhor.
Os pedidos de não sei onde em mim.
O suor dos peregrinos que andam ou dançam descalços sobre vidros quebrados de perfume.
Os pés que não se cortam de fé.
Os olhos que transbordam esperanças de um dia alguma coisa ou de todos os dias alguém.
Glória a ti neste dia de glória.
Paz dos céu para quem pode dormir.

Escrito por Paula Cohen às 15h10
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LOS ORIENTALES





Pampas de mate y de candombe.
Pampas de partes mias.
Pampas de olores que confunden plantas y bizcochuelos.
Pampas que nos ablandan las carnes.
Viva la República quisquillosa de la panaderia de medialunas dulces como tu lengua.
Viva los piropos de bocas groseras que aunque no las quieras te quieren a ti.
Viva la jarra de vidrio blanca en la puerta de tu casa.
Viva tu gente que aplaude a los niños perdidos en la orilla del mar.
Somos celestes por acá porque nos reflejamos en el espejo del cielo o del rio.
Somos celestes por acá, pedaço de tierra llorada por las milongas.
Pueblo que canta su suerte en murgas, mascaras de carnaval.
Pedaço mio de antes de haber nascido.
Pedaço mio de para siempre.
Acá me veo como soy de lejos y de tan cerca que me asusta.
Acá mi padre. Acá mi madre.
Acá las morcillas, los pocitos, las migas, los recuerdos de quien no conoci.
Acá la fuerza de quien tiene gánas pero gana muy mal.
Acá los colores mas lindos del cielo.
Acá los primeros regalos de reyes.
Acá la eterna duda de lo que hubiera sido.
Pero vuelvo siempre a encontrarme en los ojos de Carmen.
En su barco departamento rumbo a las isla fantásticas.
Marinera que es como su padre el Capitan de Santurze.
Marinera que es por los cuentos encantados que tiene.
Marinera de alma livre que se toma con soda lo que viene.

Ale ale abuelita mia, suerte tenemos de poder bailar la vida como lo elegimos nosotras.
Ale ale mi amor, a cantar la beleza de los ojos negros.
Ale ale Carmentxu, serbime lo que tengas para tomar.
Hoy llego y hoy me voy.
Asi como siempre, asi para siempre.
Dejo flores en el lugar mas dulce de mi alma.
Dejo mi alma en el lugar mas dulce de estas flores jasmineras que nacen por aqui.
Oxalá oliera yo como los eucaliptos de estos campos.
Oxalá la vida me brinde con su mejor perfume.
Oxalá tenga siempre la alegria y la essencia de mi padre.
Oxalá tenga siempre la fé y la essencia de mi madre.
Oxalá tenga a mi hermano siempre al lado mio.
Oxalá las ramblas siempre me reciban tan bien.

Escrito por Paula Cohen às 21h34
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PIU



Eu corro e escrevo para poder viver.
Me gasto nos passos e nas palavras doces e cruéis que profetizo.
Me consumo de amores e de noites vividas até o fim. Até que a luz chega, antes de me dar vontade de ir embora.
Respeito meus desejos e meus vícios. Respeito tanto que os alimento, como passarinhos que crio nas gaiolas da minha alma.
Hoje, como em alguns dias que o sangue altera o meu curso das coisas, tenho vontade de lavar meu corpo com a água salgada que os meus olhos vertem para benzer me de mim.
E não me controlo para nada. Se me der vontade choro mesmo. Para lavar a cidade, para encher o Rio.
Se me der vontade me perco no centro e não volto nunca mais para mim.
Se me der vontade não respeito mais nem uma lei, não pago nem mais uma conta.
Se me der vontade ando pela minha contra mão, pela minha corda bamba, pelo fio da navalha de alguém.
Hoje estou assim como se não tivesse graça esse filme.
Como se tudo fosse repetido por aqui.
Como se a melancolia fosse a minha mãe. E como se eu ainda vivesse dentro dela.
Vou dar comida para os passarinhos da minha alma. Eles tem fome.
Fome de olhos voltados para suas feridas.
Fome da atenção de quem ouve uma história.
Os passarinhos de mim querem publiquinhos que nos amem.
Públiquinhos ávidos de tomar nos para si.
Rapto de alma de cena.
Estou de mudança com os meus passarinhos para a cela alma do espirito apaixonado de alguém.
Terceiro sinal.

Escrito por Paula Cohen às 12h26
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RALO

Nada mais nocivo para uma sociedade do que o capitalismo.
Um sistema de governo que simplesmente se propõe a estrangular a singularidade dos moradores da terra.
Você nasceu para o quê? Qual é o desejo do teu espírito?
Supostamente o que te dá prazer em fazer é o que você tem de melhor para jogar pro mundo.
É O QUE VOCÊ TEM DE MELHOR.
Mas o Mr. Capital é muito caprichoso, arrogante e sem paciência.
Ele caga para a tua vocação, ele quer saber de notas.
Pilhas de papel-poder. Cachoeiras de contas trasbordando o teu laguinho
Mr. Capital é o pac-man dos infernos que quer comer você, teu carro, tua casa, tua mulher e o anel que a tua vó te deu e você guarda com saudades.
Mr. Capital anda muito bem vestido, sempre de janelas bem fechadas para não reparar no aglomerado de pedestres que andam descalços.
Mr. Capital se apossa da alma de muitos coitados que precisam pagar as continhas escrotinhas que chegam na puta que pariu das suas casinhas.
Mr. Capital gosta de gritar as gargalhadas"Salve–se quem puder"e depois se dobra de tanto rir, e se baba todo.
Mr. Capital outorga pequenos poderezinhos para os seus assistentes que tem o prazer infeliz de derramar em você.
"Sinto muito senhor eu cumpro ordens"
Que injusto e aviltante que é isso para a natureza humana.
"Sim, eu sei que o senhor cumpre ordens,OOHHH GRAN MENSAGEIRO DA DESGRAÇA. Mas eu peço um pouco de compreenção".
"Sinto muito eu não conheço essa palavra".
E assim vão as coisas nesse mundo, com Mister Capital e seus amigos do peito.
Na terra Brasilis, no país dos jeitinhos, tem produtores culturais que soltam uma verbinha em Brasília para se dar bem e montar as suas peçinhas de merda. Sangue-sugas que não estão nem aí para a CULTURA de uma nação.Vou repetir: PARA A CULTURA DE UMA NAÇÃO.
O mais incrível é que os seu nomes nem aparecem nos jornais, porque o sistema é praticamente uma mãe para eles.
Tem também a turminha do leite que tá botando água oxigenada e outras merdas na mamadeira do teu filho.
Tem uma lista enorme de deputados, senadores, toda espécie de politicos que jogam no outro time. São os teus grandes adversários e governam o TEU País.
E a falta de oportunidade de trabalho que destrói com a auto-estima de qualquer indivíduo e faz com que muita gente passe fome e frio além de todas as outras necessidades básicas.
Enfim...PAU BRASIL.
Enquanto na festa de Mister Capital existem os seletos dominantes exibindo suas vestes e suas sortes na terra do miserê.
E aqui no iglu, como em tantos lugares, cortaram a luz.
Talvés cortem o gás.
Talvés cortem o telefone.
Talvés cortem a minha pele e me pendurem num espeto para tudo terminar num churrasco finíssimo de carne humana.

É isso aí CORAÇÃOZINHO DOS OUTROS, é assim que anda tudo por aqui.


Escrito por Paula Cohen às 13h18
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Pau Brasil

Seca e dura como um pedaço de tronco que se morde pensando ser uma fruta molhada.


Escrito por Paula Cohen às 14h12
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Cortejo



Água de cheiro para molhar o pulso relógio que marca a vida em mim.
Água da tua boca para o meu bico.
Choro de tua cachoeira.
Banho dos pés inchados de correr de ti.
De não poder te.
Sonhos que não me lembro. Sono que não vem.
E muitos remédios para poder continuar.

Minha mão no telefone querendo discar.
O teu ouvido na minha língua. Concha de beira mar.
Ouço a tua música.
Completo a tua história paralela.
Não sei cantar o teu refrão.
Penso nos olhos da Piaf e no sacrifício.
Não me arrependo nem me reparo.
Ando com a cabeça partida, de joelhos pelo asfalto para chamar a atenção.

A poetiza está exausta.
A poetiza minimiza a dor.
A poetiza está descalça.
E atravessa essa estrada comprida sangrando em um andor.

Escrito por Paula Cohen às 11h04
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Histeria.


Um giro espetáculo de 800 graus abaixo da linha dos meus trópicos.
A terra dos meus falópios de trompas em tortas doces.
De tombos em saltos mórbidos.
Altos vôos sórdidos sem redes de pescador.
Com a ameaça de teus gritos mudos em meu fone de ouvido.
Agora deslizando em um guardanapo qualquer o relato de uma vitima do amor.
Um pedaço de papel embebido em algo fermentado.
Usado para limpar saudades liquidas derramadas.
Gotas de veneno salgado que brotam nos olhos, no lado esquerdo da alma e em outras partes úmidas de mim.
Ando pelos restos da madrugada.
Uma Doroty em um caminho de pedras pretas descascadas por dentro.


Escrito por Paula Cohen às 16h36
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Dignidade



As unhas descascadas de um vermelho óbvio.
As contas empilhadas na fuça de que deve.
A cama esperando sempre lençóis novos.
E eu sem saber porquês?

A cidade esta em alerta alérgico, só respira fundo quem goza.
Se deu bem a putinha dessa esquina. Está de pulmões limpos e não para de fumar. As vezes enfia três cigarros juntos na boca, não se contenta com pouco. Gosta de tragadas fortes. De goles fortes. E de uma boa bifa na cara borrada e esporrada que tem.
Cobra o justo por seus talentos que nem sempre foram natos. Pela sua beleza, seu buquê.
Não sente culpas nem medos é fiel ao tesão que tem. Trepou com quem queria, e com que abominava.
E a suas calcinhas continuam molhadas.
Uma sina buceta de ver o mundo, de desejar o mundo dentro de si. Não casou porque não acredita em convenções antigas, embora leia e releia o velho testamento. Já fumou a bíblia, deu o cú em cima dela para poder ficar mais perto de Deus. É assim que ela sente essas coisas. Vive fantasiando as suas trepadas póstumas. Queria muito dar pros Santos, desvendar o sexo dos anjos pirar com eles do jeito que for.
E hoje é a mulher de pulmões mais limpos desta cidade.
Talvez uma das mentes mais sujas desta cidade.
E deve estar deitada em uma cama fedorenta, com cortinas azuis ou beges rasgadas nas janelas de um quarto rotativo. E deve estar orgulhosa por fazer o que gosta, por dar ao mundo o melhor de si, por ser tão fiel a sua singularidade em uma cidade aviltante e indigesta como esta. Deve estar gemendo de tesão, e gritando sua liberdade de ser o que é com a voz de uma cachorra que não se solta do seu macho nem com litros e litros de água gelada.


Escrito por Paula Cohen às 16h15
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Pedido.

Um caminho sem fim.
Um poema sem sílabas.
Uma canção para lamber alguém.
Para beijar mordendo alguém.
Para dançar no alto do fio mais alto desta cidade.
Para não temer morrer.
Para não temer viver.
Para encher de rezas uma oração sem poder ajoelhar.
Para ter um filho pela boca.
Para enlouquecer de tanto rir.
Para pôr a minha mão dentro da sua e chorar sem água caido .
Por tudo o que somos.
E fatalmente... pelo que iremos ser.


Escrito por Paula Cohen às 01h58
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Sininho.

Ouvi um barulho de mim.
Dentro de mim.
Em lugares que mau conheço.
Barulho de alguém esmurrando a porta das entranhas do meu corpo edifício.
Estou em baixo do batente da porta por precaução.


Escrito por Paula Cohen às 17h59
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