Ao marketeiro das almas gêmeas.
Ninguém comprou o meu coração, mas me falaram que o possível proprietário está bem relacionado com alguém que está do meu lado. Me venderam um filme de príncipe encantado que estava aficionado pelos erros que eu cometo. Me falaram de alguém que não tinha pressa pra gozar e queria me anunciar encontros. Alguém que me olhava de um jeito torto, sem fábulas nem pretensões . Um homem que não via em meu pescoço as marcas de outras corridas. A fé de um taxista solitário que lança os dados em qualquer viagem. Me falaram de um parceiro libertário, libertino que bota todas as suas fichas no preto. Aquele que caminha junto, sem som. O que canta as desventuras do desejo de outro um. E como acredito no que meus ouvidos pescam, sentei em um canto, e me pus a ouvir a música das certezas. Deixei que a vida fizesse a sua parte. Dancei com direito a grand geté em um forró fuleiro. Entrei na roda de uma gira vagabunda. Comprei o ingresso pro solo da diva que se apresenta em um quintal. Quase perdi a alma. Quase morri mais cedo. Me diverti horrores com alguém que não me pede em casamento, mas ri com meu pesar. Agora tenho menos medos. Leio menos horóscopos. Mas entro em qualquer casino. Jogo em qualquer cavalo. Faço qualquer aposta a um destino de incertezas que nunca ouvi falar.
Escrito por Paula Cohen às 01h34
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Quem é a que eu não sou ?
Hoje eu dava tudo por uma nova identidade. Queria ter nascido longe daqui, em outro hemisfério. Queria entrar em um salão e ficar careca. Queria uma nova maneira de ganhar a vida. Hoje acordei sem dia, sem rumo e sem macaco no meu carro. Hoje eu queria entrar na cartola do mágico. Queria ir pra China. Catar coco na esquina, sumir de vez. Queria estar sem roupa aos prantos no meio da praça. Só que estou claustrofóbica a céu aberto.
Escrito por Paula Cohen às 14h24
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