Cortejo
Água de cheiro para molhar o pulso relógio que marca a vida em mim. Água da tua boca para o meu bico. Choro de tua cachoeira. Banho dos pés inchados de correr de ti. De não poder te. Sonhos que não me lembro. Sono que não vem. E muitos remédios para poder continuar.
Minha mão no telefone querendo discar. O teu ouvido na minha língua. Concha de beira mar. Ouço a tua música. Completo a tua história paralela. Não sei cantar o teu refrão. Penso nos olhos da Piaf e no sacrifício. Não me arrependo nem me reparo. Ando com a cabeça partida, de joelhos pelo asfalto para chamar a atenção.
A poetiza está exausta. A poetiza minimiza a dor. A poetiza está descalça. E atravessa essa estrada comprida sangrando em um andor.
Escrito por Paula Cohen às 11h04
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